Estamos a meio de dezembro e, para muitas pessoas, esta altura do ano vem carregada de uma pressão silenciosa: o Natal perfeito, a família perfeita, as refeições certas, as prendas certas.
Como se fosse possível encaixar tudo isso num calendário já cheio e como se houvesse uma forma correta de viver esta época. Mas a verdade é que o Natal não precisa de ser perfeito para ser significativo (E quem é que definiu o que é um Natal perfeito?!)
Talvez este ano consigas estar presente em todos os encontros. Ou não. Pode ser que tenhas energia para grandes almoços, mesas cheias e conversas longas. Ou pode acontecer o teu corpo esteja a pedir silêncio, pausas e menos estímulo. E está tudo bem. Desfruta do que conseguires desfrutar e deixa ir o resto.
Deixar ir e desapegar das expectativas (as tuas e as dos outros) pode ser um dos maiores atos de autocuidado nesta altura do ano. Isso não significa que deixas de te importar. Simplesmente, significa que escolhes não te perderes de ti para corresponderes a uma ideia de Natal que, muitas vezes, nem sequer é tua.
Compra prendas se te fizer sentido. Se for algo que nasce do prazer de oferecer, não da obrigação. E se não comprares, isso não diz nada sobre o teu valor, a tua generosidade ou o teu amor.
Permite-te descansar mesmo que não seja o descanso ideal. Mesmo que seja apenas dormir um pouco mais, dizer mais vezes “não”, sair mais cedo de um compromisso social ou desligar o telemóvel durante umas horas. Não te esqueças que descansar é uma forma de regulação e (acredito eu) sobrevivência num mundo que raramente abranda.
Se há pessoas com quem não te sentes segura, vista ou respeitada, talvez este seja o ano de reduzires o tempo que passas com elas, mudares o formato, ou simplesmente escolheres não estar.
É verdade que nem sempre é fácil quebrar tradições, especialmente quando estas envolvem família, expectativas antigas, papéis que desempenhas há anos. Só que às vezes mantemos certas dinâmicas não porque nos fazem bem, mas porque parecem “normais”, porque sempre foi assim, porque dá menos trabalho do que explicar a razão da mudança.
Priorizar o teu bem-estar nem sempre é fácil. Normalmente, vem com alguma dose de culpa, desconforto ou sensação de estar a desiludir alguém. Ainda assim, há que concordar que é (ou deveria ser) algo inegociável.
Além de tudo isto, temos ainda o outro lado de dezembro: as expectativas para o próximo ano. Listas intermináveis de objetivos, planos grandiosos e promessas de que “agora é que vai ser”.
Antes de entrares nesse modo automático, convido-te a parar um momento e perguntar
estes objetivos são mesmo meus ou são versões do que acho que devia querer? Do que vejo nas redes? Do que os outros esperam de mim?
Talvez o Ano Novo não precise de mais metas, mas de mais clareza, foco e intenção. Onde é que queres colocar a tua energia? O que é que, realisticamente, faz sentido para a fase da vida em que estás agora?
Aproveita as Festas como uma oportunidade e um convite a estar presente contigo própria, com o corpo que tens, com a energia que existe, com a realidade que é possível e não com uma versão idealizada de como as coisas “deviam” ser. Acredita que tudo fica instantaneamente mais leve.
