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WANDERLUST

Data: 29 setembro 2024 | 10h
Local: Wanderlust Lisboa – Avenida Brasília

Devemos eliminar o glúten da nossa alimentação?

Dizem que faz mal, que não o digerimos bem, que é inflamatório, que engorda. Mas será que é mesmo tudo verdade? E se assim é, toda a gente deveria retirar o glúten da sua alimentação? Antes de mais, é importante saber do que estamos a falar. O glúten é um conjunto de proteínas insolúveis que encontramos nos grãos de trigo, centeio e cevada. É o glúten que confere à massa de pães, pizzas, bolos, bolachas e outros alimentos, a consistência viscosa e elástica que as faz crescer, esticar e não partir. A eliminação do glúten da alimentação é necessária para quem vive com doença celíaca (doença crónica, autoimune, sem cura, na qual o glúten desencadeia uma resposta inflamatória no intestino delgado, originando a progressiva destruição da mucosa intestinal e a diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes) ou sensibilidade/intolerância ao glúten (caracterizada por sintomas como distensão e dor abdominal, diarreia ou obstipação e dificuldades digestivas, mas sem resposta autoimune e destruição da mucosa intestinal). Não existem evidências claras dos benefícios de uma dieta sem glúten para pessoas sem estes diagnósticos. No entanto, sabe-se que o glúten é tendencialmente inflamatório e que uma exposição recorrente pode desencadear respostas do sistema imunitário, sugerindo que os produtos com glúten devem ser consumidos em moderação. Muitas pessoas eliminam o glúten da alimentação com o objetivo de perder peso. Na realidade, deixar de consumir glúten só por si não emagrece. O que acontece é que as pessoas que experimentam uma dieta sem glúten tendem a excluir, como consequência, muitos alimentos com hidratos de carbono e a comer mais conscientemente, promovendo uma possível (mas não obrigatória) perda de peso. Em qualquer dos casos, é preciso ter em conta que sem glúten não significa necessariamente mais saudável. Na grande maioria dos produtos fabricados sem glúten são usadas farinhas de elevado índice glicémico, açúcares refinados e gorduras saturadas na tentativa de obter produtos similares aos que contêm glúten. O melhor é optar por alimentos o menos processados possível, ter atenção à lista de ingredientes e cozinhar os nossos próprios alimentos sem glúten com ingredientes de qualidade. É ainda importante lembrar que quando deixamos de consumir algo por conter glúten, estamos a restringir o acesso aos restantes benefícios que o alimento pode conter (fibra, outros nutrientes, etc). Considerando a complexidade do tema, se sentes que tens algum problema com o glúten, aconselha-te com um especialista antes de o retirares completamente da tua alimentação. Há mudanças que é melhor fazer com acompanhamento, e esta é uma delas.

Não faça a dieta que a sua amiga descobriu

Ou melhor, não a faça porque a sua amiga lhe disse que funciona, não adira de olhos fechados a um tipo de alimentação ou estilo de vida. Isto porque eu sou eu e o vizinho é o vizinho. Cada um de nós tem um corpo e genética diferentes; necessidades energéticas e nutricionais distintas; vidas, horários, preferências, objetivos, apoios e obstáculos díspares. Esta é a base do conceito de bio-individualidade. Este conceito baseia-se na ideia de que toda a gente tem necessidades diferentes. Somos únicos a nível físico, mental e espiritual e, consequentemente, as coisas que sustentam a nossa saúde e felicidade também são únicas. Quando falamos de dieta e estilo de vida, o que funciona para si, não funciona necessariamente para os seus familiares, amigos e colegas de trabalho. A nossa saúde e bem-estar são complexos e multidimensionais. Existem tantas variáveis em jogo, que é impossível que todas as nossas necessidades sejam iguais. Assim, nenhuma dieta é a certa, a correta, a boa, a melhor. Como quase tudo na vida, a melhor dieta para cada um de nós é aquela que nos faz sentir bem – e dá ao nosso corpo aquilo que ele necessita para funcionar adequadamente. Paleolítica, sem glúten, vegan, vegetariana, macrobiótica, low carb, cetogénica, low fat, proteica…Poderia fazer uma lista sem fim dos tipos de dietas existentes, cada uma com as sua regras, e todas com milhares de pessoas a confirmar que a dieta que seguem fez maravilhas por si. E estão todas certas, porque somos todos diferentes. Mais do que ficar presa a conceitos, teorias, regras ou nomes, treine a escuta ativa do seu corpo, dos seus sinais e sintomas, e ajuste a alimentação àquilo que ele lhe diz. Questione-se: “a forma como me alimento dá resposta ao que o corpo precisa, ou seja, as minhas análises e exames estão dentro dos parâmetros normais; sou saudável?”. Depois atente a como se sente: “sinto-me bem, não tenho dores, desconforto intestinal ou outros, e gosto do que vejo ao espelho?”. Finalmente, mas não menos importante, refletir sobre a sua performance: “tenho energia, foco e capacidade mental e física para fazer as coisas a que me proponho na minha vida?” A alimentação e o estilo de vida que são perfeitos para si são aqueles que lhe permitam responder “SIM” a todas estas perguntas. No entanto, e apesar de todos nós termos uma ideia geral do que é uma alimentação saudável e um estilo de vida equilibrado, não basta tomar as “decisões corretas”. Há que experimentar para perceber quais são as “decisões corretas” para si – qual o ambiente, a rotina, a dieta e o exercício que funcionam para si, em cada fase da sua vida. O processo de descobrir a nossa bio-individualidade pode ser desafiante, porque exige tempo, envolvimento e compromisso. Trabalhar com um health coach facilita esse processo e traz-nos confiança e empoderamento nas decisões que afetam a nossa saúde e bem-estar.

Como ter uma melhor relação com o exercício físico

Todos temos presente que mexer-nos faz parte de um estilo de vida saudável. Ainda assim, é um hábito difícil de enraizar para muitas pessoas. A nossa resistência e procrastinação em relação ao exercício pode ter diferentes origens, estando ligada à nossa relação com o exercício ao longo da vida e às nossas crenças sobre a nossa aptidão para o mesmo, como deve ser praticado e as razões que nos levam a querer começar. Vivemos numa sociedade em que o foco da atividade física é queimar calorias, tonificar o corpo e mudá-lo para aquilo que consideramos ser o “bonito” (muitas vezes confundido com “saudável”). Convido-a então a implementar as seguintes sugestões: Mude de mindset: Questione-se: estou a fazer isto porque não gosto do meu corpo e preciso que ele seja diferente, ou porque adoro o meu corpo e ele merece o melhor, tal como eu? Exercite-se como forma de se conectar consigo e com o seu corpo, esteja presente na atividade e disfrute, em vez de estar a rezar para que termine; faça-o porque o se corpo merece sentir-se bem e ser cuidado e não porque crê que ele não é bom o suficiente; faça-o também porque é uma forma de aliviar o stress e desligar o piloto automático. Escolha uma atividade de que goste: forçar-nos a fazer algo de que não gostamos, não vai fazer nada pela nossa motivação. Experimente diferentes modalidades até encontrar aquela que funciona para si. Quando encontrar uma atividade de que realmente gosta, não terá de se arrastar. Sentirá vontade de ir, naturalmente. Se possível, vá acompanhada: convidar família ou amigos, ou optar por aulas de grupo ou desportos de equipa, são opções motivadoras. Os seres humanos são seres sociais, pelo que estar com os outros nos preenche. Além do mais, o compromisso que criamos com o outro é, muitas vezes, mais forte do que o que criamos connosco próprias, tornando-se a outra pessoa um fator que nos inspira a agir. Coloque na agenda: independentemente do tipo de atividade, as horas reservadas para o exercício físico, devem estar assinaladas na agenda e tratadas como um compromisso não negociável. Só assim poderá desenvolver a consistência que deseja. Com estas pequenas mudanças, exercitar-se passa a ser um ato de amor próprio que irá trazer mais prazer à sua vida e benefícios que vão muito para além do físico. Cuide do seu corpo, é a única casa que vai ter para toda a vida.

Descanse, relaxe e divirta-se sem culpas nem desculpas

Numa cultura em que somos ensinados, muito subtilmente, que o descanso e o relaxamento são coisas que merecemos quando já trabalhámos muito, é difícil ver as coisas de outra forma. Quando glorificamos o trabalho em excesso, normalizamos o burnout, incentivamos o culto do “estar ocupado” e somos engolidos por afazeres profissionais e domésticos, é um desafio pessoal tremendo estruturar o dia-a-dia para ter tempo para descansar e relaxar. O corpo e a mente precisam de descanso. Existem diversos estudos que demonstram as consequências negativas da falta de momentos de pausa e relaxamento. Entre eles estão o aumento da irritabilidade, ansiedade e stress; perda de foco, memória e atenção; redução da produtividade; tensão e dores musculares e na coluna; dores de cabeça e insónias; sistema imunitário debilitado; problemas digestivos; fadiga; diminuição da libido; além do papel que pode ter em problemas a médio e longo prazo, tais como a depressão, a diabetes, problemas cardiovasculares, tensão arterial elevada e outros problemas crónicos. Assim, além de fazermos por dormir entre 7h a 9h por noite, fazer tempo para um descanso intencional e ativo é igualmente importante. Socializar, jogar jogos de tabuleiro, ler, escrever, costurar, pintar, ou qualquer outra atividade de que goste. Dormir sestas, meditar, caminhar na Natureza, ir ao cinema. No fundo, viver a vida além do trabalho e da casa. Tirar tempo para relaxar, desligar o piloto automático e fazer coisas que nos alimentem a alma. Investir tempo neste tipo de atividades pode trazer ao de cima sentimentos de culpa, pensamentos do género “devia estar a limpar a cozinha” ou “já podia ter terminado aquele relatório”; ou talvez sinta que tem de justificar perante si mesma e/ou os outros o porquê de estar de fazer essa opção (“este fim-de-semana fomos para fora porque estamos sem uma colega no departamento e estou com o dobro do trabalho”). Esqueça a culpa e lembre-se que não precisa de desculpas. Além de serem essenciais para ter um corpo e mente saudáveis, o descanso e o lazer são nossos por direito. O trabalho e os compromissos fazem parte da vida. Mas o direito a disfrutar das restantes áreas nasce connosco. Não precisa “merecer” tempo para si e para os seus. Isso são as coisas essenciais desta nossa passagem pela Terra. Priorizá-las é sua responsabilidade.

Sempre que possa, saia de casa

Passar tempo na Natureza é umas das coisas mais simples que podemos mudar no nosso estilo de vida para vivermos de forma mais saudável e equilibrada. E, apesar de ser desafiante medir o impacto na nossa saúde, são cada vez mais os estudos científicos que comprovam os benefícios que o contacto com a natureza nos traz, tanto a nível mental como físico. Os últimos dois anos obrigaram-nos a restringir a forma como passávamos o nosso tempo livre, mas também nos trouxe uma valorização renovada dos parques, da praia, da floresta e das montanhas. Neste rescaldo de pandemia, estes lugares são sinónimo de felicidade, conforto e liberdade. Um dos grandes benefícios de passar tempo no exterior é a exposição regular ao sol que nos fornece vitamina D, essencial para um sistema imunitário forte. Sabia que 10-15 min diários é a exposição solar recomendada? Mas este é apenas um de muitos. Os estudos mostram que estar em contacto com a Natureza tem um efeito relaxante; diminui a tensão arterial e a inflamação; ajuda a energizar o corpo e a combater a fadiga mental; fortalece o sistema imunitário; ajuda a combater a depressão e a ansiedade; tem um efeito positivo no nosso humor; e impacta positivamente a nossa capacidade de concentração. O poder curativo dos espaços verdes é motivo de estudo desde a década de 1980. No Japão, foi criado o termo “Shinrin-yoku”, que significa imersão na floresta, sendo que a prática já é reconhecida como um tratamento terapêutico. A água, quer seja nas termas com as suas propriedades terapêuticas e curativas, quer seja na praia, onde o mar nos sara as feridas da pele e nos lava a alma; ou no lago e rio, onde apenas o som nos enche de paz, é outro elemento da Natureza a explorar na nossa jornada para uma vida mais saudável. Sabia que as ondas do mar libertam iões negativos que aceleram a nossa capacidade de absorver oxigénio e ajudam a equilibrar os níveis de serotonina, a chamada molécula da felicidade? O próprio cheiro ou som da água impactam as nossas emoções, induzem a autorreflexão e fazem crescer a sensação de bem-estar. Por tudo isto, sempre que possa, saia de casa. Caminhe num parque, praia ou serra. Faça piqueniques ou um passeio de bicicleta. Experimente uma nova modalidade dentro de água, como o surf ou canoagem. Organize uma caça ao tesouro com os miúdos ou uma tarde de observação de pássaros. E que tal um passeio de barco? Saia de casa. Permita-se respirar o ar desse ambiente, pausar a disfrutar. Pela sua saúde.

Escolha um trabalho de que goste, e não terá de trabalhar um dia na sua vida

Esta célebre frase foi proferida por Confúncio, pensador e filósofo chinês, há mais de 2500 anos. Apesar disso, nunca fez mais sentido. Vivemos numa era em que o trabalho consome grande parte das nossas vidas. Na verdade, a maioria de nós, passa mais tempo com os colegas de trabalho do que com a família e amigos. E não é necessário fazer parte do grupo dos workaholics; basta fazer contas às horas de trabalho versus a quantidade de tempo livre. Assim, a área de trabalho acaba por ser um reflexo do que somos capazes de fazer no mundo. Por isso, se estivermos emocionalmente, mentalmente e fisicamente envolvidos num trabalho compatível com nossas capacidades, competências, desejos e valores, trabalhar pode tornar-se uma maneira incrível de nos sentirmos vivos, produtivos e úteis. O trabalho pode mesmo ser emocionante e desafiador. Pode ajudar-nos a encontrar o nosso lugar no Mundo, se for o trabalho “certo”. Caso contrário, pode ser uma fonte de interminável frustração e infelicidade, com impacto negativo na nossa saúde mental e física e até na qualidade das nossas relações com os outros. E ainda que não possamos levar a frase de Confúncio à letra (pois até num trabalho que nos apaixone existirão problemas, dificuldades, desafios que nos parecem intransponíveis, muita dedicação necessária, inclusive poderemos trabalhar ainda mais horas), não podemos ignorar as melhorias na motivação e rendimento, o impacto positivo no nosso estilo de vida e saúde, e os níveis de satisfação e felicidade que advêm de trabalhar em algo em que acreditamos e com o qual estamos alinhados. Quando estamos a viver a nossa verdade (o que inclui o trabalho), crescemos como pessoa de forma exponencial. E como saber que trabalho é esse? O lugar para procurar essa resposta é dentro de si própria. Encontrar o trabalho certo envolve não apenas uma jornada pessoal de descoberta do que gosta de fazer, mas também um reconhecimento das coisas que não quer para si. Significa descobrir quem é, o que a faz vibrar, que visão tem para a sua vida. Naturalmente, que o seu trabalho atual pode realmente ser o certo para si. Mas se não for, convido-a a criar espaço na sua vida para refletir e considerar novas oportunidades. Analisar as possibilidades de forma realista, mas permitindo-se alargar um pouco os horizontes para se conhecer melhor e perceber o que pode fazer para ter uma vida profissional mais saudável, feliz e completa

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