Se não puder cuidar de mais nada, cuide do seu sono

O sono, a par do exercício e de uma alimentação equilibrada, é um dos pilares essenciais para uma vida saudável. É durante o sono que o organismo exerce as principais funções restauradoras do corpo, como a reparação de tecidos, o crescimento muscular e a síntese de proteínas. Durante este período, é possível repor energias e regular o metabolismo, fatores essenciais para manter corpo e mente sãos. Dormir bem é também essencial para conseguir realizar as tarefas diárias com disposição e energia. Sem uma noite de sono adequada, tanto a produtividade como o humor podem ser afetados. No curto prazo, algumas das consequências de dormir pouco são uma maior irritabilidade e um sentimento de ansiedade ou de tristeza. Já a longo prazo, as consequências podem ser mais sérias, levando a disfunções principalmente nos sistemas nervoso e cardiovascular, responsáveis por inúmeras funções vitais. Vários estudos demonstram que quem tem privação de sono apresenta risco acrescido de desenvolver doenças cardiovasculares, cancro, diabetes e depressão. Dormir bem e horas suficientes é assim uma das coisas mais simples que pode fazer pela sua saúde. Também uma das coisas que as pessoas mais desvalorizam. Já imaginou o que seria sentir-se cheia de energia todos os dias, sem precisar sequer de café? É possível, se der ao seu corpo um sono de qualidade. E como fazer isso? Comece por criar um ambiente propício ao sono: mantenha o quarto escuro, silencioso e a uma temperatura adequada. Invista numa cama, colchão e almofadas confortáveis. Depois cuide da sua rotina. Planeie o seu dia de forma a não trabalhar, exercitar-se ou comer durante as 3h antes de ir para a cama. Pelo menos meia hora antes de dormir, desligue todos os ecrãs, incluindo o telemóvel. Dentro do possível, mantenha um horário regular para ir dormir e para se levantar. Opte por refeições leves ao jantar e evite alimentos estimulantes, especialmente ao final da tarde e à noite, tais como a cafeína, bebidas alcoólicas e açúcar. Finalmente, mas talvez o mais importante, evitar pensar em problemas ou preocupações do dia a dia. Uma ajuda pode ser fazer listas das coisas que precisa fazer no dia seguinte, organizar a sua agenda ou calendário, ou tirar um tempo para journaling antes de dormir. Estas atividades podem ajudar a tirar da sua mente aquilo que a preocupa ou que receia esquecer-se. Convido-a ainda a meditar ou ouvir música calma uns minutos antes de adormecer. Quando dormimos bem, o corpo e a mente tornam-se mais resilientes ao que pedimos deles. Por isso, se não puder cuidar de mais nada, cuide do seu sono.
Não tente eliminar o stress, mas comprometa-se geri-lo

Nunca se usou tanto a palavra stress. Esta resposta do nosso corpo tem sido diabolizada e culpabilizada por muitas das doenças e problemas que afetam a sociedade moderna. Talvez por isso o grande desejo de muitas pessoas seja viver uma vida tranquila, “sem stress”. Mas será isso possível? O stress é uma resposta fisiológica e comportamental normal face aos acontecimentos do nosso dia-a-dia que identificamos como ameaças ao nosso equilíbrio físico, mental ou emocional. É uma forma de preparação do corpo para reagir a um suposto perigo ou desafio (seja ele real ou imaginado). Adrenalina e cortisol são libertados; o batimento cardíaco acelera tal como a respiração; a capacidade de foco parece aumentar; a digestão abranda e é colocada em segundo plano; é libertada glicose na corrente sanguínea para fornecer energia para o que aí vem –esta é a conhecida resposta “lutar” ou “fugir”. Isto era muito útil aos nossos antepassados, que poderiam ter de fugir de um urso. Mas atualmente a resposta é a mesma quando percecionamos o perigo da chegada do deadline de um relatório que ainda não está pronto, ou o nosso atraso para aquela reunião importante. Ou ainda quando imaginamos situações negativas que ainda não aconteceram (pois o cérebro não distingue o real do imaginário). Assim, o estado de stress pode ser útil em situações pontuais, mas estarmos grande parte do nosso tempo neste modo de alerta leva ao desgaste, dores e tensão, problemas digestivos, insónias, diminuição da imunidade e propensão a várias doenças crónicas. É verdade que o dia-a-dia atual é por norma exigente, cheio de dificuldades, prazos e frustrações indutores de stress. E enquanto acredito que eliminar o stress é uma tarefa impossível, estou segura de que podemos trabalhar para uma vida em que o gerimos e reduzimos os seus efeitos. Praticar exercício físico, manter uma alimentação nutritiva, eliminar o tabaco e o álcool, dormir o suficiente, passar menos tempos em frente a ecrãs, fazer tempo para o autocuidado, para o descanso e para os seus hobbies, socializar, praticar yoga e/ou meditação, fazer pausas regularmente, e respirar profundamente várias vezes ao dia são apenas alguns exemplos de atividades cuja eficácia na gestão do stress já está comprovada. E o melhor é que estão todas nas mãos de cada um de nós. Por isso, não tente eliminar o stress da sua vida, mas comprometa-se a geri-lo.
Como o café te está a prejudicar e quais as alternativas

O café é parte essencial da rotina de muitas pessoas. Para muitos de nós, também é conforto, é rotina, é pausa ou convívio com os outros. No entanto, sendo a cafeína um estimulante natural, pode causar ansiedade e tremores, disrupção dos ciclos de sono, ritmo cardíaco anormal e aumento da tensão arterial, e desidratação. Cria dependência física e psicológica, sendo que a sua falta, redução ou retirada tende a resultar em dores de cabeça, tonturas e oscilações de humor. A acidez do café pode causar azia e refluxo gástrico. A cafeina também aumenta as contrações no intestino, resultando em desconforto intestinal e eliminação mais rápida, deixando menos tempo para correta absorção dos nutrientes no sistema digestivo. Então será que tens de deixar de beber café? Não necessariamente. Cada um de nós tem uma tolerância e reação diferente à cafeína. O limite diário recomendado para adultos saudáveis é de 200 mg (equivalente 2-3 expressos). Independentemente deste limite, se sentes algum dos sintomas já mencionados, a quantidade de cafeína que consomes pode ser elevada para ti. A chave está em escutar o corpo e ajustar o teu consumo de café aos sinais que ele te dá. Quais as alternativas? Diminuir consumo de cafeína, optando por misturar o café com a bebida vegetal da tua preferência Mistura de café com chicória ou apenas a chicória moída Descafeinado, apesar deste ainda conter uma pequena percentagem de cafeína e já não ter os benefícios antioxidantes do café Chás como o preto, verde, mate, matcha ou branco contêm cafeína, mas em quantidades mais reduzidas Outros chás como a camomila, gengibre, menta ou roiboos que não contêm cafeína Cacau quente Simplesmente água, a bebida mais saudável que ajuda a despertar evita a desidratação Desafio-te a trocar um dos teus cafés diários por estas opções. Depois está atenta ao impacto que tem no teu corpo e na tua rotina e vai fazendo os ajustes necessários, considerando que os sintomas de retirada/redução de cafeína podem ir de 3 dias a cerca de uma semana. Conta-me a tua experiência pelo info@anavitor.com 🙂
10 passos para ter mais saúde

Beber mais água: pelo menos 1,5 litros por dia podem ajudar a reduzir desejos de doces e as dores de cabeça, melhorar a digestão e aumentar os níveis de energia. Cozinhar: preparar as nossas refeições permite-nos saber o que estamos realmente a colocar no corpo, além de ser uma ótima forma de nos conectarmos com os outros, enquanto cozinhamos juntos. Aumentar o consumo de fruta, legumes e cereais integrais: ricos em nutrientes e minerais essenciais para que o corpo possa fazer tudo aquilo que lhe pedimos durante o dia, são o combustível de qualidade de que precisamos. Reduzir os alimentos processados, o café e o álcool: aumentar o consumo dos alimentos do ponto 3 vai permitir uma redução natural daquilo que nos faz menos bem. Ainda assim, não existem alimentos proibidos: o equilíbrio é a chave. Praticar o autocuidado: criar tempo para si própria e para atividades que elevam a sua energia e a fazem sentir nutrida, deve ser não negociável. Ter relacionamentos saudáveis: rodear-se de boas energias e pessoas que a apoiam e afastar-se das relações tóxicas que não adicionam nada de positivo à sua vida é um passo essencial para a saúde mental e emocional. Praticar exercício físico de que goste regularmente: mover o corpo ajuda à digestão, assimilação de nutrientes, circulação e respiração, sendo uma parte essencial de uma vida saudável. Encontrar uma atividade que lhe dá prazer é crucial para manter a consistência e desenvolver uma relação positiva com o exercício. Ter um trabalho que a preencha: muitos de nós passamos mais 8h por dia num trabalho que não nos preenche e gera stress que pode levar a diversos problemas de saúde. Pergunte-se se o seu trabalho atual está alinhado com os seus valores. Desenvolver uma prática espiritual: não necessariamente religiosa. Apenas conectar-se consigo própria através de exercícios de respiração, meditação, journaling ou passando tempo imersa na natureza, sem interrupções. Saber que não há uma única forma de ser saudável: lembre-se que o que funciona para mim pode não funcionar para si. Escute o corpo e vá de encontro às suas necessidades e objetivos.
6 passos para gerir melhor o seu tempo

O tempo é um dos bens mais preciosos que temos e o único que ainda não aprendemos a multiplicar. Com a exigência e ritmo da vida atual, parece que o ideal seria termos mais horas no dia para dar conta de tudo aquilo que aparece na agenda, calendário e listas de afazeres. Mas se não podemos criar mais tempo, como tirar melhor partido daquele que temos e viver de forma menos stressante? Aqui ficam 6 dicas que a irão ajudar a tornar-se a mestre do seu tempo: Utilize os seus objetivos para a ajudar a priorizar atividades: identifique os objetivos mais importantes que tem atualmente e crie uma lista de atividades de suporte a esses objetivos que tem de desenvolver semanalmente. Para se organizar anote todos os deadlines no seu calendário/agenda e planeie as tarefas com horas de inicio e fim. Enquanto realiza as tarefas utilize um temporizador para a ajudar a manter-se focada e avalie a sua produtividade ao longo das semanas, ajustando o que for necessário. Evite o multitasking: apesar de ser muitas vezes valorizado, na realidade, a falta de foco leva a mais erros e menos produtividade. Trabalhe a sua capacidade de concentração gerindo uma atividade de cada vez. Crie uma rotina: planear as mesmas atividades para os mesmos dias e horas a cada semana facilita a gestão do dia-a-dia, automatiza os processos mentais e aumenta a produtividade. Planeie o planeamento: Adicionar 30 minutos para planear a sua semana pode parecer desnecessário, mas vai ajudar a aumentar a produtividade. Por exemplo, ir às compras com uma lista permite perder menos tempo, gerir melhor o orçamento e investir em alimentos mais saudáveis. Sem uma lista, poderá ter de voltar várias vezes ao supermercado durante a semana, perdendo tempo. Avalie a sua abordagem: no final de cada semana, avalie a sua abordagem à gestão de tempo. Tome nota de distrações e de coisas que influenciam positivamente a sua produtividade Conte com tempo para relaxar: dar ao corpo e à mente tempo para relaxar permite refletir, recarregar energias e rejuvenescer. Pode ser tempo para exercícios de respiração, meditação, ouvir música ou ler um livro. Experimente estas dicas esta semana e veja como afinal os dias não precisam de mais de 24h.
Transformar Adversidades em Oportunidades: A minha Jornada de Mudança de Carreira

Numa sociedade onde o ritmo acelerado do mundo corporativo muitas vezes dita as nossas vidas, é fácil esquecer a importância de cuidar da nossa saúde física e mental. No entanto, a vida tem sempre uma maneira de nos mostrar o que realmente importa. Prova é a minha jornada pessoal de transformação de carreira e de vida após o diagnóstico de uma doença autoimune. Hoje, através do poder da nutrição integrativa e do cuidado holístico, procuro ajudar os outros a cuidarem de si e a viverem uma vida mais plena e saudável. Como acontece com muitas outras pessoas, a minha carreira no mundo corporativo absorvia-me por completo. Depois de tirar um mestrado em Gestão o expectável é dar o máximo de nós no trabalho que conseguirmos na nossa área, certo? Será? Ao longo dos anos a minha saúde começou a declinar sem que eu desse conta. O corpo e a mente deram-me vários sinais, mas eu ignorei sempre. Em 2019 fui diagnosticada com uma doença autoimune. Foi um momento assustador, mas também revelador. Em vez de me deixar desanimar, decidi transformar esse desafio numa oportunidade para mudar minha vida. Foi durante essa fase de reflexão que percebi a importância de cuidar da minha saúde física e mental. Comecei a pesquisar sobre diferentes abordagens e alterações no estilo de vida que poderiam ajudar-me a gerir a minha doença autoimune e a ganhar qualidade de vida. Foi quando me deparei com a nutrição integrativa, uma abordagem holística que considera a conexão entre alimentação, estilo de vida, saúde emocional e bem-estar geral. Determinada a aprofundar o meu conhecimento, decidi inscrever-me no Institute for Integrative Nutrition. Aqui tive a oportunidade de aprender com alguns dos principais especialistas em saúde e bem-estar integrativo, o que me permitiu compreender a interação entre alimentação, estilo de vida e saúde de uma forma ainda mais profunda. Durante o meu tempo no Institute for Integrative Nutrition, mergulhei nas áreas de nutrição, alimentação consciente, conexão mente-corpo e abordagens holísticas de saúde. Adquiri conhecimentos valiosos sobre os benefícios de uma alimentação equilibrada, práticas de autocuidado e estratégias para reduzir o stress e promover o bem-estar geral. Após concluir a minha formação, tornei-me um Health Coach certificada, capacitada para ajudar as pessoas a alcançarem os seus objetivos de saúde e bem-estar. Como Health Coach, a minha abordagem é baseada na compreensão individualizada de cada cliente, levando em consideração as suas necessidades específicas, preferências alimentares e estilo de vida. Trabalho em parceria com os meus clientes, ajudando-os a desenvolver hábitos saudáveis e duradouros que os levem a uma vida mais equilibrada e plena. A mudança de carreira para me tornar Health Coach trouxe uma sensação de propósito e realização à minha vida. Ver as minhas clientes alcançarem resultados positivos e transformarem a sua saúde é incrivelmente gratificante. Através de orientação personalizada, motivação e suporte contínuo, posso testemunhar as mudanças positivas que fazem na sua alimentação, estilo de vida e perspetiva geral de saúde. E isso não tem preço. Cada vez que vejo alguém recuperar a energia, superar desafios de saúde, reduzir o stress e adotar escolhas alimentares conscientes, sinto uma satisfação profunda. A minha própria jornada de enfrentar uma doença autoimune e transformá-la numa oportunidade de ajudar os outros, deu-me uma visão privilegiada das necessidades e desafios que as pessoas enfrentam nas suas caminhadas para vidas mais plenas. A minha experiência mostrou-me que os desafios podem ser oportunidades disfarçadas. Ao seguir a paixão pela nutrição integrativa e pelo cuidado holístico, consegui transformar a minha própria vida e, em simultâneo, ajudar os outros a cuidarem de si mesmos. Se há algo que aprendi, é que todos nós temos o poder de criar mudança positiva nas nossas vidas, independentemente das circunstâncias. O essencial é seguir o coração, procurar conhecimento e encontrar um propósito que nos traga alegria e significado. Como Health Coach, hoje estou comprometida em capacitar as pessoas para assumirem o controlo da sua saúde e viverem a melhor versão das suas vidas. E espero deixar-te inspirada para tornar qualquer adversidade com que te cruzes numa oportunidade de seres mais feliz.
Coaching de Saúde e Bem-estar – o que é isso?

Muito se tem falado de Coaching nos últimos anos e, entre as diversas modalidades existentes, o coaching de saúde e bem-estar (ou health coaching) é uma das que mais se tem destacado. Ainda assim, é um tema que gera dúvidas especialmente porque ser Coach de saúde e bem-estar é uma profissão nova, ainda a emergir em alguns mercados, como é o caso de Portugal. Um Health Coach orienta, guia e educa a outra pessoa, focando-se nos resultados a alcançar em áreas ligadas à qualidade de vida, como a consciência alimentar, digestão saudável, higiene do sono e níveis de energia, gestão de stress, autoconhecimento e autocuidado e o positivismo. Trabalhando em parceria, o coach ajuda o cliente (coachee) a definir metas claras e específicas para a melhoria da sua qualidade de vida; a mobilizar a sua força e capacidades internas e a procurar os recursos externos necessários para atingir os seus objetivos de bem-estar; a desenvolver mudanças de comportamento; e a criar e enraizar hábitos mais saudáveis e sustentáveis a longo prazo. Este é um processo baseado numa abordagem holística, i.e., implica olhar para as várias áreas da nossa vida (alimentação, exercício, relacionamentos, carreira, finanças, espiritualidade, entre outras), pois estas estão interligadas e influenciam o equilíbrio umas das outras. A partir de uma análise da nossa vida como um todo, conseguimos entender o que está por trás das nossas dificuldades em atingir aquilo que pretendemos, e podemos traçar o caminho para atingir os nossos objetivos de bem-estar. Para que seja possível progredir, estes objetivos devem ser específicos, mensuráveis, relevantes para o cliente e alcançáveis, ou seja, as alterações devem ser incrementais, evitando a sensação de assoberbamento e frustração que muitas vezes nos invade quando tentamos fazer mudanças radicais nas nossas rotinas. Durante as sessões de coaching são utilizadas diversas estratégias e ferramentas, com grande foco na escuta ativa e sem julgamento, e nas perguntas abertas e reflexivas. Com isto, o health coach vem também ser o tempo que o profissional de saúde não tem em consultório para ir além do diagnóstico e prescrição. É importante deixar claro que um Health Coach não substitui outros profissionais de saúde, em qualquer circunstância, não faz diagnósticos nem prescreve medicação ou tratamentos. O Coach vem apoiar o individuo a implementar as mudanças necessárias para melhorar, “traduzir” para linguagem simples e prática o que é preciso fazer, e apoiar para que o caminho não seja tão tumultuoso. No caso de indivíduos sem doenças diagnosticadas, o coach vem educar para a prevenção, para o autocuidado e para o empoderamento na gestão da saúde. Assim, o processo de health coaching pode ser uma excelente ferramenta para aumentar a qualidade de vida de indivíduos saudáveis, que desejam garantir a manutenção do seu bem-estar. Mas com o aumento da incidência de doenças crónicas (hipertensão, diabetes, obesidade, doenças autoimunes, etc), associadas a fatores de riscos modificáveis (comportamentos, hábitos, alimentação e estilo de vida), o coaching de saúde e bem-estar ganha importância pois o seu foco é exatamente a mudança de comportamento. Neste sentido, é uma arma de prevenção e melhoria na saúde pública. No fundo, o coaching de saúde e bem-estar pode ser um processo transformador para qualquer pessoa que deseje viver uma vida mais saudável, onde quer que esteja na sua jornada.
Três passos para dias mais calmos

Muitas são as resoluções que acompanham a nossa entrada num novo ano. Desde começar a praticar mais exercício físico, até nos dedicarmos ao voluntariado, as resoluções podem ter diferentes formas e motivações. Viver a vida com mais calma e ter dias mais tranquilos são desejos que me chegam muitas vezes da boca dos clientes que acompanho, mas nem sempre se sabe por onde começar. Se esta lhe parece ser uma boa resolução para adicionar à lista de 2023, deixo-lhe três passos que seguramente irão trazer mais calma à sua rotina, se implementados com consistência: Alongar: O stress do dia-a-dia faz com que os nossos músculos fiquem tensos, podendo traduzir-se em dores nas costas, ombros, pescoço e até de cabeça. Alongar estimula a circulação sanguínea e permite o fortalecimento e relaxamento dos músculos, reduzindo a dor e ajudando a melhorar a postura. Este aumento do fluxo sanguíneo também promove a oxigenação do cérebro e acelera a produção de serotonina, o neurotransmissor da felicidade, promovendo a sensação de relaxamento, bem-estar e bom humor. Seja logo de manhã, antes de dormir ou ao longo do dia de trabalho, alongar é uma forma simples de impactar positivamente o seu dia. Meditar: Vários estudos mostram que meditar traz imensos benefícios entre os quais estão o aumento do poder de concentração, redução do stress, melhoria da memória, promoção de bem-estar e até minimização de dores físicas. Apesar de no início poder ser uma prática intimidante, pois implica parar e estarmos na nossa própria companhia, depois de encaixada na nossa rotina pode passar a ser um momento de autocuidado pelo qual ansiamos muito. Convido-a a reservar cinco minutos, escolher um local calmo, adotar uma posição confortável e colocar um temporizador, utilizando o tempo para focar a sua atenção na respiração, ou optar por uma meditação guiada que pode encontrar online. Praticar a gratidão: Praticar a gratidão durante alguns minutos por dia aumenta a sensação de bem-estar, pois agradecer pelo que temos traz uma série de outras emoções positivas, como a alegria, o amor, o contentamento e a vontade de fazer o bem. A gratidão leva-nos a reclamar menos e a abrir espaço para o otimismo. A vida continuará a ter desafios, mas ter uma visão mais positiva torna-a mais leve e volta a nossa atenção para a solução e não para a lamentação, perante a adversidade. Fazer diariamente uma lista de três coisas pelas quais está grata tem o potencial de mudar a sua perspetiva da vida e o seu nível de calma perante a mesma.
A comida como combustível da produtividade

Quando pensamos nos fatores que contribuem para o nosso desempenho no trabalho, raramente temos em consideração a nossa alimentação. No meio do desafio diário de não deixar acumular e-mails, inúmeras reuniões e deadlines a cumprir, a comida é “apenas” combustível. A maioria de nós já ouviu a frase “somos o que comemos”. Quase que se tornou um cliché, mas é uma afirmação cheia de fundamento e que faz perfeito sentido se pensarmos na forma como funciona o nosso sistema digestivo. O corpo humano necessita de energia e nutrientes para se manter a funcionar e realizar todas as tarefas essenciais à sobrevivência, além de todas as outras a que nos propomos no nosso dia-a-dia, como trabalhar. Essa energia e nutrientes são fornecidos pelos alimentos. O papel do nosso sistema digestivo é extrair o que necessitamos da comida que ingerimos, permitir que isso seja absorvido e chegue às nossas células, e eliminar o que não nos faz falta. Assim, podemos ver que os alimentos que ingerimos têm impacto em tudo o que fazemos, incluindo na produtividade que podemos ter no trabalho. Começando pela quantidade. Quando não comemos o suficiente, temos dificuldade em focar-nos na tarefa a realizar e a nossa concentração é facilmente quebrada. Estes são sinais de que o cérebro não tem a energia suficiente para aquilo que lhe estamos a pedir. Adicionalmente, muitos de nós não compreendemos a relação entre o autocontrolo (um processo complexo a nível de atividade cerebral) e a produtividade. A capacidade de nos focarmos numa tarefa está diretamente relacionada com o autocontrolo. Um estudo publicado na Personality and Social Psychology Review indica que “…a glucose (açúcar no sangue) fornece energia para praticamente todas as atividades cerebrais, sendo plausível que o autocontrolo, como um processo cerebral complexo, esteja altamente dependente dos níveis de glucose”. Isto significa que quando os nossos níveis de açúcar no sangue estão baixos, os nossos níveis de autocontrolo, força de vontade e foco serão também baixos, diminuindo a nossa capacidade de fazer o nosso trabalho. Mas o extremo oposto também pode ser problemático. Quem nunca teve dificuldade em regressar às suas tarefas depois de um almoço em que comeu demasiado ou optou por alimentos mais difíceis de digerir? A realidade é que quando comemos demais ou optamos por refeições mais ricas em gordura, o sistema digestivo tem de fazer um esforço extra para fazer o seu trabalho, o foco do organismo é a digestão, os níveis de oxigénio no cérebro descem e nós sentimo-nos sonolentos, com vontade de fazer uma sesta. Outra questão pertinente é a ingestão de alimentos que já sabemos ou desconfiamos que não nos fazem bem. Sejamos alérgicos, intolerantes ou simplesmente porque não “nos cai bem”, continuar a escolher ingerir esses alimentos pode levar a sintomas gastrointestinais desconfortáveis (ou outros), mais ou menos intensos, que irão afetar o nosso desempenho e capacidade de concentração ao longo do dia. Se o corpo nos diz que não, há que ouvir e respeitar. Mais um fator a ter em atenção é que nem todos os alimentos são processados pelo nosso corpo à mesma velocidade. Alguns alimentos como a massa, o pão, os cereais e os refrigerantes libertam glucose rapidamente, dando um boost de energia temporário, seguido de uma descida acentuada da mesma. Outros alimentos fornecem energia sustentada ao longo do tempo, mas exigem mais do nosso sistema digestivo, levando a que nos sintamos sonolentos como já explicado anteriormente. A chave está no equilíbrio e na escolha de alimentos ricos em nutrientes, mas fáceis de digerir. A maioria das pessoas sabe que quando não tem uma dieta equilibrada, com os nutrientes ideais, o corpo tende a não funcionar como deveria: a imunidade tende a baixar, o intestino não trabalha adequadamente, há falta de energia e vários sintomas podem surgir neste contexto. Do ponto de vista mental, uma alimentação com carências ou excessos nutricionais, pode provocar cansaço excessivo, dores de cabeça, problemas de memória, mau-humor e falta de concentração. Sabemos que tudo isto vai impactar o nosso desempenho no trabalho, podendo inclusive implicar ausências. A maioria das pessoas conhece também as linhas gerais de uma alimentação equilibrada (mais fruta e legumes, água suficiente, mais peixe fresco, menos gorduras saturadas, optar por cereais integrais, etc). Mas se estamos conscientes, porque não agimos de acordo com isso? A falta de tempo e planeamento, e o facto de as opções de refeição mais rápidas e baratas serem as menos saudáveis, são alguns dos fatores. O que na realidade falta são estratégias práticas para os profissionais ocupados. Aqui ficam algumas: Tomar o pequeno-almoço antes de sair de casa: sair de casa já alimentado ajuda-nos a estar mais alerta, a gerir melhor o stress e a chegar ao trabalho prontos para começar. Também nos permite optar por alimentos menos processados ou caseiros. Planear refeições e levar marmitas: despender de algum tempo do fim-de-semana para planear refeições, ir às compras e adiantar alguns cozinhados, reduz o stress diário de pensar no que comer e cozinhar, dá-nos mais tempo e liberdade para nos focarmos e permite-nos fazer escolhas mais conscientes. Optar por almoços leves: quer optemos por levar o nosso próprio almoço ou comer fora, optar por refeições mais leves, levará a tardes mais produtivas. Preferir grelhados e cozidos, acompanhar com mais vegetais do que arroz/batata/massa, poucos molhos e gorduras, e incluir sopa e fruta, são formas de garantir que não ingerimos mais do que precisamos. Evitar alimentos que prejudicam a nossa produtividade: salgados (levam ao aumento da desidratação), açúcares não naturais (doces, chocolates, bolos, bolachas, refrigerantes), álcool, gorduras saturadas encontradas nas carnes gordas, fritos e lacticínios (levam ao aumento de fadiga) e cafeína (dá-no uma falsa sensação de energia temporária, que desce a pique passado algumas horas). Snacks a meio da manhã e tarde: evitar grandes oscilações dos níveis de açúcar no sangue ajuda-nos a manter o equilíbrio ao longo do dia. Alimentos como os frutos secos e as suas manteigas, a fruta, o cacau, os ovos (cozidos ou mexidos), palitos de cenoura ou pepino, húmus ou guacamole estão cheios
Health Coaching, a abordagem holística do bem-estar

Muito se tem falado de Coaching nos últimos anos e, entre as diversas modalidades existentes, o coaching de saúde e bem-estar (ou health coaching) é uma das que mais se tem destacado. Ainda assim, é um tema que gera dúvidas especialmente porque ser Coach de saúde e bem-estar é uma profissão nova, ainda a emergir em alguns mercados, como é o caso de Portugal. Um health coach é um profissional certificado que oferece ao cliente apoio para que este caminhe para o equilíbrio da sua saúde de uma forma holística, abordando questões alimentares, físicas, comportamentais, emocionais e espirituais. Na sua abordagem, o health coach tem em consideração todas as áreas da vida de uma pessoa para a atender de forma integral. Neste sentido, um health coach serve como uma espécie de mentor de qualidade de vida e bem-estar. Os médicos e outros profissionais de saúde contribuem para uma vida saudável, mas nem sempre têm o tempo ou as ferramentas para ajudar os seus pacientes a construir hábitos saudáveis e mudar seu estilo de vida diário. Assim, podemos dizer que o health coach vem preencher esta lacuna, ajudando os indivíduos a trabalhar áreas como a consciência alimentar, gestão de stress, higiene do sono e níveis de energia, auto-conhecimento e auto-cuidado e estilo de vida positivo. É importante deixar claro que um health coach não substitui os profissionais de saúde, em qualquer circunstância, e não faz diagnósticos nem prescreve medicação ou tratamentos. Por ser um especialista em mudança de hábitos, o health coach trabalha também na procura do que pode estar a causar maus hábitos, no autoconhecimento e no empoderamento do cliente, auxiliando-o a alcançar os seus objetivos e a tomar decisões que impactam a sua saúde e bem-estar. O seu trabalho inclui analisar, junto com o cliente, pontos de desequilíbrio que possam estar a prejudicar a sua saúde e bem-estar gerais, e a gerar reflexão para que o próprio cliente encontre soluções para as suas questões, apesar de estar sempre apoiado pelo Coach. O papel do health coach é então identificar, junto com seu cliente, as áreas de atuação que este pretende trabalhar, traçar um plano de ação e acompanhar o seu progresso, apoiando e dando orientações, comemorando as conquistas pelo caminho, e focando na implementação de alterações sustentáveis a longo prazo. No fundo, o health coach tem como objetivo ajudar o cliente a ser a melhor e mais saudável versão de si mesmo, trazendo ao de cima a sabedoria que cada um de nós (e o nosso corpo) já guardamos no nosso interior.